A Revolução Americana na Idade Contemporânea

 

De Forma Ocorreu a Colonização Inglesa na América do Norte? Como Foi o Processo de Libertação das Antigas Colônias Inglesas? Qual Foi o Impacto da Revolução Industrial nas Treze Colônias?

 

Revolução Americana

 

Alguns sociólogos afirmam que uma revolução é “uma mudança que afeta de tal forma a estrutura social existente que, não somente a camada dominante é retirada do poder, mas todas as camadas se desintegram para reintegrar-se de maneira diferente”.

Por conseguinte, para esses estudiosos, o termo revolução só seria corretamente aplicado quando referir-se a determinado processo de mudança radical na infraestrutura, envolvendo ainda mudanças na superestrutura.

Ora, isto NÃO aconteceu no processo de libertação das antigas colônias inglesas e, embora norte-americanos sulistas fossem obrigados a fugir para a Inglaterra e tivessem suas propriedades confiscadas, o poder político na antiga América Inglesa continuou nas mãos dos aristocratas do Sul e dos comerciantes e proprietários do Norte.

Ainda que houvesse a libertação dos escravos negros como prêmio à participação na Guerra da Independência americana, a escravidão negra não foi abolida e, uma vez que ela não resultou em mudanças fundamentais na estrutura da sociedade, hã razões para perguntar se ela ainda merece ser chamada de revolução. No fundo no fundo, para muitos, o que ocorreu lá foi muito mais uma luta de interesses comerciais entre a Inglaterra e a própria América.

Sendo assim, pode-se dizer que a colonização inglesa na América do Norte apresentou aspectos originais que contribuíram para o relativo abandono em que as colônias viveram, no século XVII e XVIII. Devido às guerras no continente europeu – e a problemas internos – a interferência do Rei ou do Parlamento ingleses sobre as colônias foi mínima, possibilitando às colônias um regime econômico mais livre, estimulando a circulação de riquezas na própria colônia sem se esquecer do sistema político-administrativo de um governo autônomo.

 

Revolução Americana 1

 

A partir da 2ª metade do século XVIII, a Inglaterra implantou a Revolução Industrial que levou ao aumento do controle sobre as Treze Colônias para transformá-las em mercados consumidores da produção fabril. Por isso, começou a fechar indústrias coloniais e procurou eliminar o comércio dos colonos com as Antilhas – combatido como contrabando. Essa legislação provocou reação da burguesia colonial – sobretudo da Nova Inglaterra – onde o Iluminismo reforçava a tradição de liberdade.

Nessa mesma época também se modificou a política fiscal inglesa, em função das guerras intercoloniais que resultaram da rivalidade entre ingleses e franceses e entre os colonos anglo-americanos e franco-americanos. Na América essa rivalidade se devia aos empecilhos de os colonos se expandirem para o interior (caçando animais de peles raras), provocando choque com os franco-americanos.

A mais importante foi a Guerras dos Sete Anos (1756 / 1763) pela qual a França – derrotada – perdeu para a Inglaterra as suas mais importantes colônias como o Canadá, a Índia, as Antilhas, o vale do Ohio e parte da Luisiana.

Apesar da vitória inglesa essas guerras eram dispendiosas para a Coroa e, após a ocupação do Canadá, os gastos com pessoal administrativos e militares se elevou consideravelmente. Considerando que essas despesas deveriam ser pagas pelas Treze Colônias, o Parlamento aprovou elevados tributos sobre o açúcar e derivados de cana importados pelos colonos, além do chá, papel, vidro e tintas.

Argumentando que só pagariam impostos voltados para seus representantes, os colonos passaram a boicotar os produtos ingleses e isso provocou violenta reação da Inglaterra que – em represaria – promulgou leis coercitivas. Nelas, o porto de Boston foi fechado, a colônia de Massachusetts ocupada militarmente, a Assembleia local dissolvida e um general nomeado governador da colônia.

Os representantes das Treze Colônias promulgaram a Independência – redigida por Thomas Jefferson – a qual rompia os laços que uniam as Treze Colônias à Inglaterra, proclamava as normas que guiariam o novo Estado e que obteve enorme repercussão, tanto nas Américas como na Europa.

Mas, apesar de algumas vitórias iniciais os norte-americanos assistiram às suas principais cidades caírem sob o domínio dos ingleses e, a ajuda da França, acabou sendo fundamental para a vitória norte-americana, pois além de enviar tropas, armas, munições e créditos, os franceses obrigaram os ingleses a desviar recursos para lutar nas Antilhas, na Europa, na África e na Índia. E, unida à França, a Espanha também se aliou aos norte-americanos em 1779.

Igualmente importante foi a Liga da Neutralidade Armada idealizada por Catarina II (Rússia), contando com a adesão da Dinamarca, Prússia, Suécia e da Holanda a fim de garantir a liberdade dos mares e resistir às buscas realizadas pelos navios ingleses. Com isso, a Inglaterra ficou isolada.

A guerra durou até 1781 quando os ingleses se renderam às tropas de Washington, estabelecendo-se a paz através do Tratado de Paris (1783) onde os Estados Unidos da América do Norte (expressão de 1776) tiveram sua independência reconhecida, estendendo-se do Atlântico aos Grandes Lagos e Mississipi. Não obtendo os proveitos sonhados, a França recebeu apenas as Antilhas e o Senegal; a Espanha recuperou a Flórida e entregou a Luisiana à França.

Desde 1777 o Congresso da Filadélfia elaborou as bases do novo sistema de governo, as quais refletiam o espírito particularista desenvolvido durante a colonização em que os novos Estados se organizaram sob a forma confederativa e desfrutavam de completa autonomia. Mas, as deficiências dessa organização se evidenciaram com o término da Guerra da Independência, pois a anarquia que se seguiu ameaçou a própria sobrevivência dos Estados Confederados e levou à convocação da Convenção Constitucional da Filadélfia.

Na definição do que deveriam ser os Estados Unidos defrontaram-se os Republicanos (Thomas Jefferson, a favor de maior autonomia dos Estados) e os Federalistas (Alexandre Hamilton e Washington, a favor de um poder central forte). Na Constituição de 1787 houve um visível compromisso entre as duas tendências.

Um dos primeiros problemas a ser resolvido seria a pressão econômica inglesa e, para afastá-la, seria necessária uma segunda Guerra da Independência (1812 / 1814). Mas, sendo a primeira colônia a obter sua independência e havendo adotado uma Constituição republicana, os EUA fizeram crescer na América Latina a ideia da liberdade política e comercial, além de acelerar a crise do Absolutismo na França porque os gastos com a guerra agravaram o déficit e levou Luís XVI a reunir os Estados Gerais, fato que possibilitou iniciar-se a Revolução Francesa.

 

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O Japão Após a Segunda Guerra Mundial

 

Que Reformas Levaram o Japão a se Tornar Uma Grande Economia? Como Ocorreu o Desenvolvimento Industrial Japonês?

 

Japão

 

A derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, além de deixar um enorme saldo de ruínas acarretou a ocupação do país pelos americanos e, sob a direção do general Mac Arthur, empreenderam-se reformas como a dissolução dos grandes trustes e a reforma agrária, que pôs fim às grandes propriedades.

Outras reformas foram a conversão de 70% do campesinato em pequenos proprietários, a extinção das indústrias bélicas, o desarmamento e a desmilitarização do país e a promulgação da Constituição em 1947 – estabelecendo um regime parlamentarista.

A partir de 1950 o crescimento econômico do Japão foi acelerado e, dentre outras razões, pode-se apontar o grande crescimento demográfico, pois em 1945 e 1965 a população cresceu de 73 para 101 milhões. Isso possibilitou a utilização de numerosa mão de obra a baixo salário, além da ampliação do mercado de consumo interno.

Esse crescimento demográfico vem sendo atenuado devido à métodos de controle da natalidade e à legalização do aborto, adotados por imposição americana.

Outra razão do “boom” nipônico foi a importância da tecnologia estrangeira, particularmente para as indústrias químicas, elétricas e fabricação de máquinas. E graças a isso o país compensou o atraso verificado com a guerra, quando as técnicas se voltaram para as indústrias bélicas.

Além do mais, na reconstrução industrial aplicou-se a tecnologia mais avançada o que possibilitou elevado ritmo de produção.

Fator igualmente importante foi o maciço investimento de capitais na produção como créditos estaduais, incentivos fiscais ou capitais americanos (ajuda na guerra contra a Coréia e Vietnã).

O fato de o Japão ter-se convertido na principal base de operações das forças americanas na Coréia, levou muitas empresas a estabelecer subsidiárias no país (ou associar-se às indústrias japonesas) a fim de atender às demandas de material para a guerra.

 

Japão 1

 

A manutenção de uma balança comercial favorável também explica o desenvolvimento japonês que, embora carente de matérias primas como carvão, petróleo, ferro e algodão, acabou reduzindo seus gastos com a importação de alimentos devido à reforma agrária.

Em contrapartida, a exportação de produtos industrializados vem aumentando continuamente, pois conta com uma das maiores frotas mercante do mundo.

Ainda que transformado em importante peça do esquema militar americano na Ásia, os japoneses resistiram a política de treinamento em grande escala. Essa recusa favoreceu o desenvolvimento econômico – que não se viu limitado pelo desvio de verbas para gastos militares – de ampliar os orçamentos para a educação, o que permitiu a melhoria profissional da sua mão de obra.

Buscando reforçar sua posição, o capitalismo japonês investiu grandes somas de capitais no exterior – inclusive nos Estados Unidos –, embora na década de 80 tenha se evidenciado certo conflito comercial com os americanos.

A política protecionista e a existência de uma balança comercial desfavorável aos americanos provocaram protestos do presidente Ronald Reagan, o qual proibiu a importação de vários produtos japoneses.

As pressões americanas em favor da abertura do mercado japonês, a criação de cooperações econômicas (APEC, NAFTA e outras) e a crescente demanda americana para que o Japão se orientasse para a Ásia levaram o país a se tornar a segunda maior economia do mundo (dados de 2006).

As Imperfeições da Concorrência e do Sistema de Preços

 

Quais São as Condições Que Definem a Concorrência Perfeita? O Quadro Real é Caracterizado Pelas Mais Diferentes Formas de Imperfeições no Sistema de Preços? Caso Essas Imperfeições Prevaleçam, Como se Determinarão Preços e Quantidades? Como as Atividades Produtivas Serão Orientadas?

 

 

 

 

Uma das estruturas mais simples das estruturas concorrenciais é a de Stakelberg ([1]), cuja simplicidade está no elemento básico que foi adotado para a diferenciação. Trata-se do número dos que intervêm no mercado, tanto do lado da oferta (vendedores), como do lado da procura (compradores). Essa abordagem se tornou clássica e, embora excessivamente simples, por deixar de considerar outros elementos importantes para a diferenciação, ela seria a matriz de desenvolvimentos posteriores.

Segundo sua posição, as estruturas de mercado não se limitam apenas às hipóteses da concorrência perfeita (em que se basearam os economistas liberais dos séculos XVIII e XIX) e do monopólio (que passaria a ser considerado a partir do fim do século XIX). Entre esses dois extremos, há várias situações definidas a partir do número dos que exercem as atividades e oferta e de procura.

Partindo desse elemento diferenciador Stakelberg evidenciou nove (9) diferentes estruturas de mercado possíveis e, de acordo com ele, considerando-se unicamente o número de compradores e vendedores, a concorrência perfeita seria caracterizada pelo grande número de participantes nos dois lados considerados (vide tabela abaixo). Na hipótese de haver um grande número de compradores defrontando-se com apenas um vendedor, estaria caracterizada uma situação típica de monopólio e, invertendo-se as posições, com grande número de vendedores mas com apenas um comprador, estria configurada uma situação de monopsônio.

E, diametralmente oposta à situação de concorrência perfeita, poderia ainda ser caracterizada uma outra situação, a qual é definida pelo monopólio bilateral, em que se defrontam no mercado apenas um vendedor e apenas um comprador. Além dessas, também existiriam as situações definidas por ele como quase-monopólio e quase-monopsônio. Trata-se de situações em que o único vendedor ou o único comprador teriam de se defrontar, com um número pequeno de compradores e de vendedores.

Tabela 3

A partir dessas classificações reunimos elementos para diferenciar quatro (4) estruturas de mercado, as quais têm atraído a atenção dos teóricos contemporâneos e, dentro dessas 4 estruturas, podem ser enquadradas as diferentes situações observadas no mundo econômico real. Essas estruturas podem ser apontadas como reproduções das diferentes classificações existentes. São elas:

  1. Concorrência Perfeita: Uma estrutura de mercado sob concorrência perfeita deve preencher as seguintes condições: (a) elevado número de produtores e de compradores, agindo independentemente de tal forma que, pela pequena importância de cada um, nenhuma possa reunir condições suficientes para modificar os padrões da oferta e da procura e, consequentemente, o preço de equilíbrio prevalecente; (b) inexistência de quaisquer diferenças entre os produtos ofertados pelas empresas produtoras; o produto da empresa “A” deve ser considerado pelos compradores como substituto dos produtos das empresas “B”,…..”K”,….”N”; (c) perfeita permeabilidade de tal forma que não existam barreiras para o ingresso de novas empresas, sendo fácil e inconsequente o abandono do mercado por parte de qualquer uma das empresas que dele já participem; (d) devido à padronização dos produtos e ao grande número de vendedores e compradores, não há qualquer possibilidade de que atitudes isoladas passam alterar as condições vigentes; aliás, do ponto de vista de uma empresa isolada, são ineficazes quaisquer tentativas de diferenciação ou de concorrência extra preço.
  2. Monopólio: As condições que caracterizam o monopólio são opostas às da concorrência perfeita: _ (a) existência de apenas uma empresa dominando a oferta e, dessa forma, no regime de monopólio, o ramo industrial e a firma são expressões sinônimas, pois a indústria monopolista é constituída por uma única firma; (b) inexistência no mercado de produtos capazes de substituir aquele que é produzido pela empresa monopolista; assim, não há alternativas para os compradores. Ou seja, eles comprarão do único produtor ou deixarão de consumir o produto; (c) inexistência de competidores imediatos, devido às barreiras para o ingresso de outras empresas no setor; como o surgimento de outra implica o desaparecimento do monopólio, a manutenção das barreiras constitui condição sine qua non para a permanência da dominação; as barreiras podem ser econômicas, técnicas ou legais que são impostas para resguardar determinados monopólios que são exemplos alguns serviços de utilidade pública (água, telefonia, etc.) ou algumas áreas de levado interesse nacional (o petróleo no Brasil, por exemplo); (d) considerável poder de influência sobre os preços e o regime de abastecimento do mercado, em decorrência do qual o monopolista pode controlar os níveis de produção e da oferta; este poder é tanto maior quanto menores forem as intervenções aplicadas pelo governo; (e) devido à plena dominação do mercado, os monopolistas dificilmente recorrem à publicidade; os consumidores que necessitam de água, energia elétrica ou telefone só terão um fornecedor a quem recorrer.
  3. Oligopólio: Estas não são perfeitamente definidas como as da concorrência perfeita ou do monopólio. Dois setores de produção dominados por oligopólios podem não reunir características semelhantes e, de forma geral, as condições que regem o oligopólio são as seguintes: (a) um pequeno número de empresas dominando o mercado de tal forma que 80 ou 90% da oferta sejam realizadas por um grupo reduzido de produtores; (b) as indústrias oligopolistas podem estar produzindo bens padronizados; a atividade de um setor sob oligopólio tanto pode ser a mineração, em que os produtos são padronizados, como os setores automobilísticos, de eletrodomésticos ou cosméticos em que os produtos são promovidos no mercado através de diferenciação; (c) devido ao pequeno número de empresas, o controle sobre os preços pode ser amplo, dando lugar a acordos, conluios e a práticas conspirativas; (d) a concorrência extra-preço é considerada como vital; como a “guerra de preços” pode prejudicar todas as grandes empresas do setor, estas recorrem a outros expedientes concorrenciais; (e) o ingresso de novas empresas geralmente é difícil; há consideráveis obstáculos, devido à dominação exercida pelas gigantescas empresas que detêm parcelas substanciais do mercado.
  4. Concorrência Monopolística: Essa expressão foi cunhada por Chamberlein ([1]), identificando elevado número de situações de mercado verificadas na realidade e situadas entre os extremos da concorrência perfeita e do monopólio, mas sem as características resultantes do pequeno oligopólio. Trata-se de estruturas de mercado em que há grande número de empresas concorrentes e em que as condições de ingresso são fáceis. Mas, cada uma das concorrentes possui suas patentes ou então é capaz de diferenciar o seu próprio produto de tal forma que passa a criar um segmento próprio de mercado, que dominará e procurará manter. Todavia, o consumidor encontrará outros substitutos e, dessa forma, não ocorrerá o monopólio puro. Determinada patente ou elemento de diferenciação pode significar uma espécie de monopolização, mas havendo outros concorrentes, também haverá concorrência. Em resumo, suas características são: (a) existência de um grande número de empresas relativamente iguais em poder concorrencial; esse número se situa numa posição intermediária entre a concorrência perfeita e o oligopólio; (b) acentuada diferenciação dos produtos; o bem de cada empresa apresenta particularidades capazes de distingui-lo dos demais e de criar um mercado próprio; (c) apreciável mas não muito ampla capacidade de controle dos preços; isso dependerá do grau de diferenciação do produto, da proximidade dos concorrentes, de seu número e de seu esforço mercadológico; (d) facilidade para ingresso de novas empresas no mercado. Essa facilidade é bem maior do que nas estruturas dominadas por oligopólios, mas algumas barreiras tornarão o ingresso sempre mais difícil do que no caso da concorrência pura; essas barreiras são decorrentes das dificuldades existentes para conquistar fatias significativas de mercado e para diferenciar o novo produto a ser introduzido.

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([1]) STAKELBERG, H. F. “Princípios da Teoria Econômica”. Madri, Instituto de Estudos Políticos, 1946.

([2]) CHAMBERLEIN Edward H. “The Teory of Monopolistic Competition”. 7 ed. Cambrigde, Mass,  Harvard University Press. 1956.

A Formação dos Preços e a Orientação da Atividade Econômica

 

Como se Criam Condições Para o Funcionamento Regular da Economia Através de Produtos e Preços? O Que Determina o Valor de Um Produto? De Que Elementos Dependem os Valores Atribuídos aos Bens Transacionados?

 

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A utilização de instrumentos monetários viabiliza sistemas complexos de organização econômica, fundamentados na divisão social do trabalho, na especialização dos mercados e na concorrência. Sob um adequado suprimento monetário, criam-se condições para o funcionamento regular da economia, não obstante a desordenada emissão de meios de pagamento possa comprometer o desempenho do sistema e interferir na alocação dos recursos. E, nestes casos, os preços sinalizam – via inflação – as inadequações da oferta monetária.

Todavia, existem movimentos de preços que não decorrem de movimentos monetários inadequados, pois eles resultam do livre mecanismo das forças de mercado, via movimentos da oferta e da procura, dirigida aos fatores de produção e aos bens e serviços finais produzidos pela economia. Este tipo de movimento dos preços é vital para a alocação dos recursos no sistema regidos pela livre iniciativa. E, mesmo em sistemas centralizados, os movimentos dos preços em mercados paralelos denunciam imperfeições na alocação dos recursos, erros de planejamento ou insuficiência estruturais da economia. Sendo assim, para entendermos este aspecto da vida econômica, vamos examinar os fundamentos teóricos do valor.

Um Enfoque Teórico Básico Entre o Valor e o Preço

Os preços dos bens e serviços produzidos constituem a expressão monetária de seus valores e a moeda interfere como denominador comum de valores, possibilitando que as transações sejam realizadas com base nos preços dos bens e serviços envolvidos. Porém, o que determina o valor de um bem? De que elementos dependem os valores atribuídos aos bens transacionados?

As respostas a essas perguntas causaram longas controvérsias entre as diferentes escolas do pensamento econômico, pois para David Ricardo – por exemplo – o valor de um bem poderia ser expresso como função do trabalho necessário para adquiri-lo. A exposição do valor-trabalho enfeixou-se no grupo das teorias objetivas, conduzindo a análise do valor para o terreno da oferta e dos custos de produção. As teorias objetivas expostas por Ricardo (e depois pelos Socialistas do século XIX) pretendiam que o trabalho aplicado na obtenção de bens fosse considerado o principal elemento determinante de seu valor.

Se, por exemplo, em todos os estágios de obtenção de 2 diferentes produtos tivessem sido aplicadas, respectivamente, 30 e 60 unidades-tempo de trabalho de igual qualificação, o 2º deveria valer duas vezes o 1º, pois sua obtenção resultou de um esforço duas vezes superior. Dessa forma, um arco teria um valor duas vezes maior que o de uma flecha, se ele exigisse o dobro do trabalho para a sua obtenção. Se com a mesma unidade-tempo de trabalho de igual qualificação pudessem ser produzidas duas flechas ou um arco, o valor deste último resultaria duas vezes maior.

Com o advento das escolas marginalistas – século XIX – a teoria ricardiana do valor-trabalho seria alvo de contestação, pois elas deslocariam as análises do valor para o terreno das teorias subjetivas. Contrariando a abordagem de David Ricardo e dos socialistas, eles considerariam que a escassez relativa dos bens e a sua utilidade, somadas às escalas das preferências individuais, é que seriam os verdadeiros determinantes do valor. O enfoque das teorias subjetivas conduziu a análise do valor para o campo da procura. Seus determinantes não estariam mais no terreno da oferta e dos custos de produção, mas na faixa da utilidade – uma variável da qual resulta o valor que os indivíduos atribuem aos bens disponíveis no mercado.

As controvérsias entre as concepções objetivas e subjetivas conduziram a uma 3ª abordagem, reunindo os dois enfoques. “Para que um bem qualquer tenha algum valor, duas condições devem ser preenchidas. Primeiramente, ele deve corresponder a alguma utilidade, convergir para algum fim e satisfazer a alguma necessidade. Em 2º lugar, para que tenha valor, além de corresponder a uma utilidade, sua obtenção deve ter esbarrado em alguma dificuldade econômica” ([1])

Permanecendo nesse raciocínio, Alfred Marshall daria o golpe fatal às duas concepções tradicionais, pois ele reuniu as teorias vinculadas à oferta e à procura e, com isso, ela não somente se afastou da abordagem clássica do valor-trabalho, como também conteve as exageradas reações de alguns dos marginalistas. Para ele, a procura (baseada na utilidade) e a oferta (baseada nos custos de produção) eram igualmente indispensáveis para a explicação do valor e, portanto, dos preços de mercado.

As Leis da Oferta e da Procura – Uma Primeira Aproximação

Para definirmos o mecanismo de preços é necessário assimilar os conceitos de procura e oferta, bem como suas correspondentes leis. A fim de imprimir métodos a essa discussão, vamos dividi-la em duas partes. Primeiro abordaremos o lado da procura e depois da oferta.

A procura dirigida a determinado produto pode ser definida como as várias quantidades que os consumidores estarão dispostos a adquirir, em função dos vários níveis de preços possíveis, em determinado período de tempo. Uma discussão nos leva a admitir que a procura é representada por uma série de possibilidades que sempre correlacionam as diferentes quantidades com os vários níveis de preços apresentados. E, esta série de possibilidades, varia inversamente ao nível de preços.

Se considerarmos a procura de um produto qualquer verificamos que as quantidades procuradas dependem dos diferentes níveis de preços de mercado, gerando um comportamento, segundo o qual quanto mais baixos se apresentam os preços, mais altas serão as quantidades procuradas. Como as quantidades procuradas (QP) dependem do nível de preços (P), podemos dizer que há uma relação de dependência entre as variáveis QP e P. E, essa relação, pode ser expressa matematicamente pela função elementar: QP = f(P)

Para nos familiarizarmos com esse princípio, vamos considerar a escala de procura de determinado produto, representada na tabela abaixo. Segundo os dados, variando os preços de R$ 100 para R$ 1000, as quantidades procuradas variarão, inversamente de 12.000 para 2.000 unidades-ano e, entre esses dois limites, inscrevem-se outros preços e outros níveis de quantidades procuradas. Todavia, a escala final definida coaduna-se com o conceito já considerado: _ à medida que o preço aumenta, as quantidades procuradas se tornam menos expressivas.

Tabela

A reação dos consumidores aos níveis dos preços pode ser explicada por três (3) razões. A primeira é que os preços constituem um obstáculo aos consumidores e, quanto mais altos, menor será o número de consumidores dispostos a consumi-los. Quando os preços são mais baixos, o obstáculo pode ser transposto por um número maior de consumidores, o que leva o número teórico das quantidades procuradas.

A segunda explicação é dada pelo efeito substituição. Ou seja, quando o preço de determinado produto aumenta, permanecendo invariáveis os preços, os consumidores tendem a substituí-los, ocasionando uma redução nas quantidades procuradas. Isto significa que, a possibilidade de deslocamento do potencial de procura para os produtos substitutivos, atuam para reduzir o nível das quantidades procuradas, como uma reação imediata aos acréscimos dos preços.

A terceira explicação representa um dos aspectos analisados pelos estudiosos dom século XIX, os quais contrariam os enfoques desenvolvidos pelas escolas clássica e socialista. Segundo essa explicação, quanto maiores forem as quantidades disponíveis de um produto, menores serão os graus de sua utilidade marginal. Em outras palavras: _ quando um consumidor possui apenas uma unidade de um produto qualquer, é elevado o correspondente grau de utilidade atribuído. Todavia, à medida que ele passa a dispor de mais unidades desse mesmo produto, a utilidade de cada unidade adicional irá decrescer, podendo chegar até a graus negativos. Isso fará com que o consumidor só adquira unidades adicionais se os preços registrarem baixas e, caso contrário, ele não estará disposto a ingressar no mercado e a voltar a adquiri-lo.

A Lei da Oferta

A oferta de determinado produto pode ser definida como as várias quantidades que os produtores estarão dispostos a oferecer, em função dos vários níveis de preços possíveis, em determinado período de tempo. Analisando esta definição percebe-se que a oferta é representada por uma série de possibilidades que sempre correlacionam as diferentes quantidades ofertadas com os vários níveis de preços definidos pelas estruturas de custos dos produtos.

Essa série de possibilidades altera-se na razão direta da variação dos preços e, se analisarmos a oferta de um produto qualquer, verificaremos que as quantidades ofertadas dependem dos diferentes níveis de preços, gerando uma escala-padrão que nos indica aumentos nas quantidades ofertadas em função de acréscimos sucessivos nos níveis dos preços. Baseados nesse conceito e concordando com que as quantidades ofertadas (QO) dependem do nível dos preços (P), podemos dizer que existe uma relação de dependência entre as variáveis QO e P. Essa relação também pode ser expressa por uma função elementar: QO = f(P)

E, para nos familiarizarmos com esses conceitos, vamos considerar a escala da oferta de determinado produto representada na tabela abaixo. De acordo com os dados dessa escala, quando os preços se apresentam no nível de R$ 100, registram-se apenas 1.000 unidades-ano ofertadas. E, elevando-se os preços par R$ 200, o estímulo aos produtores vai elevar as quantidades-ano para 3.300, até chegar a 12.000; já então correspondente ao limite máximo de preço ali considerado; ou seja: R$ 1.000

Tabela 1

A reação dos produtores aos diferentes níveis de preços encontra sua explicação na estrutura dos custos de produção e, inversamente ao que ocorre no caso da procura, a alta de preços constitui um estímulo à mobilização de recursos e, em consequência disso, à própria atividade de produção. Isso significa que os incentivos para o aumento das quantidades estão fundamentados na expansão dos níveis de preços. E, o que constitui barreira no caso da procura, converte-se em incentivo no lado da oferta.

Esses fundamentos, resultantes do comportamento dos produtores, conduzem ao princípio de que, mantidas inalteradas todas as demais condições, quanto mais se elevam os preços de um produto, maiores serão as quantidades – por período de tempo – que os produtores estarão dispostos, embora nem sempre aptos no curto prazo a produzir.

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([1]) MILL, John Stuart. Princípios de economia política. México, Fondo de Cultura Económica, 1943

 

Os Conceitos e Tipos de Inflação

 

Quais São as Principais Causas da Inflação? Como Ocorreu o Processo Inflacionário Brasileiro na Década de 80? O Que Foi o Plano Cruzado? Quais Foram as Bases do Plano Collor?

 

cruzado

 

Um doa mais antigos e controvertidos fenômenos econômicos é a depreciação do valor da moeda (a redução do seu poder aquisitivo), o qual é identificado como inflação. Suas teorias explicativas são numerosas, mas existem poucas conclusões definitivas quanto às suas causas e consequências. A multiplicidade das teorias sobre esse assunto resulta do fato de não haver uma única teoria capaz de explicar todas as inflações que têm ocorrido nos diversos países, através da história.

Os economistas têm formulado várias teorias, mas uma que pareça ser plausível para determinada situação pode ser inadequada para outra. As causas da inflação podem diferir de um país para outro – em função de seus diversos níveis de desenvolvimento –, do poder de negociação das suas organizações trabalhistas, do grau de concorrência em suas indústrias e da maior (ou menor) significação do comércio internacional.

Mas, apesar da multiplicidade das suas causas, há algumas características comuns aos diversos processos inflacionários, pois a própria concepção da inflação pode ser aplicada a todos os casos. De forma geral, a inflação é caracterizada pela contínua, persistente e generalizada expansão dos preços, sendo, portanto, um fenômeno de abrangência macroeconômica. A expansão dos preços decorrente da escassez das entressafras não é suficiente para caracterizar um processo inflacionário. Este, só será caracterizado quando todos os bens – e serviços – disponíveis acusar uma tendência altista generalizada e contínua.

A Inflação Brasileira

Plano Collor

 

No início dos anos 80, a inflação no Brasil situou-se na faixa de três dígitos, mantendo-se em torno de 100% ao ano. No triênio 1983-85, superou a taxa anual de 200% e, no início de 1986, caminhava para mais de 300%. Sob a sustentação da correção monetária, instalou-se o processo de inflação e, automaticamente, a inflação passada reproduzia-se no presente, animando um sistema de alta de preços. As expectativas dos agentes econômicos eram inflacionárias, comandando remarcações de preços nas atividades protegidas por oligopólios e/ou monopólios.

Em fevereiro o governo optou por um programa de estabilização heterodoxo e, contrariando a ortodoxia baseada na contenção dos meios de pagamento, o choque compreendeu medidas das quais as de maior impacto foram: (a) criação de uma nova moeda, o Cruzado (Cz$); (b) extinção do Cruzeiro, com paridade inicial de Cz$ 1,00 por Cr$ 1.000,00; (c) extinção da correção monetária; (d) congelamento total de tarifas e preços (públicos e privados); (e) fixação da taxa de câmbio do Cruzado em relação às divisas externas conversíveis.

Essas medidas reverteram temporariamente as expectativas inflacionárias, quando ela recuou para níveis próximos do zero e quebrou-se seu ímpeto inercial. Com os preços congelados e os ativos financeiros desindexados ocorreu intenso processo de monetização, ampliando-se as pressões sobre o setor real da economia. A demanda por bens e serviços de consumo e de produção, tornou-se exacerbada e, em mercados paralelos, os preços efetivos passaram a incorporar ágios.

No final de 86, os ágios sinalizavam a existência de inflação reprimida – que era alimentada pela expansão da oferta de moeda, pela elevação dos níveis de salários e empregos e pela redução da pressão fiscal sobre a renda corrente – voltou a se manifestar com vigor maior que antes do Plano Cruzado. Consequentemente, no início de 87, os preços romperam a barreira do congelamento e a inflação se acelerou a taxas inusitadas. No 2º semestre de 87 as taxas anuais situavam-se no patamar de 4 dígitos e, dessa forma, um segundo choque foi aplicado, mesclando-se a heterodoxia do congelamento com tentativas ortodoxas para conter o déficit público e a oferta primária de moeda.

O 2º choque na economia não produziu resultados duradouros, pois sua engenharia econômica buscou apoio em instrumentos ortodoxos (redução do déficit público) e monetária (controle da base monetária e elevação da taxa de juros). Mas, o não cumprimento das metas somado à alta dos preços tornaram efêmeros os resultados alcançados e a inflação recuou para índices mensais de um dígito, apenas em setembro. No último trimestre de 87 acelerou-se e se estendeu por todo o ano de 1988.

Em 1989 um 3º choque foi aplicado – o Plano Verão – com resultados novamente efêmeros. A baixa confiança dos agentes econômicos nos efeitos dos tratamentos heterodoxos e a presença de elevados estoques de ativos financeiros nas mãos do público, expuseram a economia a novas tensões de alta, conduzindo-a a fronteira da “hiperinflação”. Sendo assim, no início dos anos 90 – às vésperas do Governo Collor – as taxas de inflação atingiram patamares novamente inusitados. A mais elevada da história econômica do país foi registrada em março de 1990 – 81,3% pelo IGP-DI.

O governo Collor adotou medidas de alto impacto, esperando conter esse processo hiperinflacionário e novas medidas foram aplicadas, notadamente sobre os estoques de ativos financeiros. O Plano Collor desferiu um duro golpe sobre a liquidez da economia e o sequestro de ativos financeiros atingiu 70% das disponibilidades líquidas dos agentes econômicos. De um total de Cr$ 2,2 trilhões, foram contingenciados Cr$ 1,6 trilhões e as disponibilidades líquidas que restaram caíram, pós-choque, de 22,58 para 8,62% do PIB brasileiro.

Nos primeiros meses as taxas mensais de inflação recuaram para um dígito ao mês (3,29%) em março, 5,38% em abril e 9,61% em maio. Mas essa aceleração continuou, projetando a taxa do 3º trimestre para mais de 12% ao mês. E a inflação retornou, sob o efeito de fatores como defasagem em preços públicos, pressões de cartéis, desníveis na estrutura interna dos preços, choques externos de oferta, exacerbação de conflitos distributivos e, preponderantemente, uma cultura inflacionária viciada e disseminada.

Enfim, a inflação brasileira resistiu mais uma vez e o sequestro de liquidez e os anúncios de austeridade pública, não foram suficientes. O PIB recuou 4%, o desemprego aumentou e a demanda por bens e serviços se contraiu, mas a variação inflacionária dos preços voltou ao patamar de 4 dígitos anuais.

Licença Para Seguir Trabalhando

 

No Brasil, ao Voltar da Licença-Maternidade, Quase a Metade Das Mulheres se Demitem ou São Demitidas

Funcionária Grávida

 

Renata Marzochi, de 36 anos, coordenadora de TI, adorava o seu trabalho e se dedicava com emprenho, cursos, disponibilidade para viagens e, ao mesmo tempo, desejava ser mãe. Mas um dia descobriu que estava grávida e, ao contar a novidade ao seu chefe, tudo que recebeu foi um olhar gélido.

Continuou trabalhando da mesma forma, mas pediu à empresa que considerasse sua segurança e bem-estar nas viagens, solicitando que a mandassem para cidades com estrutura e estradas asfaltadas. Em 2016 ela deu à luz, ficando afastada durante 5 meses e, ao voltar a trabalhar, sua gestora levou-a até uma sala – onde já se encontrava a Diretora de RH – e ela foi demitida.

Renata faz parte de uma estatística da FGV, a qual informa que quase a metade da força de trabalho feminina brasileira é demitida ou se demite, no decorrer do primeiro ano do filho. Para Cecília Machado (FGV), a explicação para esse número é mesmo a existência do bebê. “O papel de cuidar da criança é associado às mulheres e isso está relacionado à queda da participação feminina no universo do trabalho”, diz ela.

Contudo, detalhes das motivações que levam à quebra dos vínculos empregatícios não são totalmente claros, pois “algumas profissionais pedem para ser demitidas e isso acaba contando nos indicadores como dispensa por parte do empregador”, disse Cecília Machado. Por outro lado, muitos desligamentos são vistos como opção pessoal, mas essa pode ser uma ideia equivocada.

Funcionária Grávida 1

Conforme Anne Rammi – autora do blog Mamatraca, especializado em conteúdo para mães – numa família com pai e mãe, ao fazer as contas e ver que a mulher ganha menos e que, socialmente é dela a responsabilidade de cuidar dos filhos, é ela quem sai do emprego. “Chamo isso de falsa escolha”, disse ela.

A ONU acompanha os números de desligamentos por meio da consultoria que faz para o mercado, tendo um manual que ajuda as empresas a garantir condições iguais de trabalho a profissionais de ambos os sexos. No Brasil, há 160 companhias signatárias e mais de 2 mil em todo o mundo. Um dos indicadores para ingressar na lista é o de demissões de mulheres durante o primeiro ano após a licença-maternidade.

Não é difícil imaginar que uma determinada funcionária resolva deixar o emprego quando sente preconceito por estar grávida ou por já ser mãe. Cíntia Bortotto ouviu de sua chefe: “você é uma pessoa tão inteligente, por que foi engravidar?” Na época seu filho estava com 7 meses e ela deixou a empresa. Hoje, ela é diretora de RH da Stefanini – uma empresa de tecnologia, com um quadro feminino 10% maior do que os concorrentes.

As empresas que ainda têm dificuldade de lidar com essa questão irão enfrentar problemas de atração e retenção de talentos. De outro lado, ao promover o crescimento profissional de pessoas que acabaram de ter filhos, a organização mostra aos demais empregados que há uma trilha de carreira a ser seguida, independentemente das escolhas pessoais.

Funciona assim na Henkel, uma multinacional fabricante de adesivos. Valéria Gladsztein é um exemplo de que a companhia encara a maternidade de maneira natural. Desde 2006 na empresa, a executiva já foi expatriada para México, Colômbia e Brasil – sempre acompanhada de seus dois filhos. “A flexibilidade da Henkel permite que eu esteja com meus filhos no dia-a-dia, leva-los à escola ou participar de festas”, disse ela. Quando a corporação tem essa consciência, possibilita não só uma maternidade, mas também uma paternidade ativa.

Para reduzir a percentagem de profissionais que deixaram o serviço, empresas e sociedade devem compreender que cuidar da criança, da casa e da família é responsabilidade de todas as partes envolvidas, não apenas das mulheres. Sob o ponto de vista de Regina Madalozzo – pesquisadora do mercado de trabalho e professora do Insper – a questão-chave é a discussão da licença-paternidade, a qual deveria ter a duração similar à feminina.

Claro que leva tempo para isso se tornar padrão; afinal, o modelo de trabalho atual foi construído por uma liderança masculina que não tinha de se preocupar com os afazeres domésticos nem com a criação dos filhos. Agora chegou a hora da transformação e é preciso um maior envolvimento dos homens – fora e dentro de casa.

Milhas Para Que Te Quero

 

Listamos Alguns Aplicativos Capazes de Aumentar em 30% o Número de Pontos Nos Programas de Milhagem

 

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Somente no último semestre de 2017, os brasileiros que fazem parte dos maiores programas de milhagem do país deixaram expirar 11 bilhões de pontos. Conforme a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização, a taxa de pontos perdidos está hoje na casa de 19%. Esquecer o prazo para o resgate das milhas pode ser evitado com um aplicativo como o Oktoplus – por exemplo.

Mas, esse universo se tornou tão frenético que acompanhar suas novidades passou a ser uma missão impossível e, desperdiçamos chances reais de acumular pontos por desconhecer as oportunidades que existem no mercado. Os aplicativos virtuais como o Mercado Pago e o RecargaPay são a prova disso. No ano de 2017 eles viraram uma febre entre os caças-milhas e isso porque existem softwares que convertem boletos de contas – luz, gás e condomínio em débito no cartão de crédito, aumentando o valor da fatura.

Assim como esses, existem muitos outros aplicativos úteis para quem deseja melhorar o desempenho nos programas de fidelidade. Hoje, é possível juntar pontos ao chamar um motorista particular pelo aplicativo, ao colocar combustível no carro e até levar o cachorro para tosar. A oferta é tamanha que a planejadora financeira Eliane Deliberali recomenda cuidado e, de acordo com ela, é essencial verificar a origem do funcionamento de cada um.

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“Antes de baixar e cadastrar informações de seu cartão de crédito, pesquise a respeito em sites de reclamações”, disse ela. O fato é que, se bem utilizadas, as ferramentas desse tipo podem aumentar em até 30% a pontuação. Dessa forma, confira a seguir os aplicativos que podem ajudar a turbinar suas milhas, organizados por categorias:

  • Mercado Pago: Essa tecnologia opera como uma carteira digital, permitindo que o consumidor cadastre seu cartão e pague todo tipo de conta nele, inclusive a mensalidade da escola dos filhos. O software cuida da conversão do boleto para o crédito. O serviço é gratuito, desde que o volume de transações não ultrapasse R$ 4 mil / mês.
  • RecargaPay: A vantagem desse aplicativo é que sua plataforma permite liquidar multas, impostos e outros serviços municipais, estaduais e federais no crédito. Além disso, ela permite recarga de celular de todas as operadoras, bem como do bilhete único de transporte de algumas cidades brasileiras.
  • PicPay: Sua tecnologia fornece a chance de juntar milhas, fazendo transferência de dinheiro. Ou seja, você e um amigo dividem o táxi ou a conta da pizzaria e, no dia seguinte, você transfere o dinheiro para ele via aplicativo. A transação é debitada no seu cartão de crédito, embora ambos precisem ter conta na plataforma. Como o valor da transferência é pago no crédito, o consumidor ainda ganha de 30 a 40 dias, dependendo do vencimento da fatura.
  • Beblue: Através dessa plataforma o consumidor pode pontuar comprando em cerca de 10 mil estabelecimentos parceiros como supermercados, bares, farmácias, restaurantes e postos de combustíveis. Além disso, parte do dinheiro gasto (entre 1% e 10%) retorna para a carteira digital do aplicativo como crédito ao usuário, sendo possível converter tanto os pontos quanto o dinheiro devolvido em milhas no programa “Multiplus”.
  • Km de Vantagens: Na rede Ipiranga, os clientes acumulam pontos ao abastecerem ou quando usam os serviços dos postos e das lojas de conveniência. Ao concentrar suas atividades no aplicativo, eles têm acesso a prêmios, e descontos em combustíveis, passagens aéreas, hotéis e ingressos em cinemas, casas de show, etc.
  • Cabify: Os clientes podem concentrar pontos ao solicitar corridas nesse aplicativo e, cada real gasto, vale 1 ponto.
  • Vivo Valoriza: O cliente pessoa física com contas pós-paga, controle, fixo TV ou Internet pode participar e aproveitar os benefícios. Os pontos são calculados conforme os gastos mensais.
  • Oktoplus: Esse aplicativo ajuda a gerenciar as milhas que expiraram. Nele, é possível adicionar vários programas de milhagem, registrar todos os pontos no mesmo lugar e programar alertas quando estiverem prestes a expirar.